Cotidiano
25.04.2011
O oriente médio clama por democracia: a luta de cada dia
\"pensar, escrever e falar sobre o mundo árabe é sempre um desafio e exige de todos nós um exercício de compreensão\"
Por Manoel Pereira da Silva*
Inicialmente, entendemos ser importante anotarmos que não podemos olhar para os países do Oriente com os nossos olhos do Ocidente. Olhar para o outro tão-somente a partir da nossa realidade social, por si só, é uma violência aos costumes, ideologias e formas de expressões religiosas de povos que têm culturas diferentes da nossa.
Desse modo, pensar, escrever e falar sobre o mundo árabe é sempre um desafio e exige de todos nós um exercício de compreensão. Somente assim, seremos capazes de analisar, de maneira imparcial, os atuais conflitos no Oriente Médio.
Contudo, diante dos confrontos civis e militares que assistimos nestes últimos dias na Líbia e no Egito, podemos sugerir que parte significativa dos nossos irmãos árabes clama pelo fim da ditadura e da tirania de governos impiedosos que se mantém no poder por meio da imposição do medo e da violência.
É possível afirmarmos que nos países árabes que atualmente estão submetidos a regimes autoritários, haja uma sistemática luta pela democracia. Almeja-se, portanto, uma alteração da maneira do exercício do poder. Clama-se pelo poder, não autoritário, exercido com a participação do povo.
No Brasil já nos deparamos com anseios semelhantes, sendo que o século XX, em nosso país, pode ser considerado como um marco da luta pela democracia. Aqui, como sabemos, o povo chegou até mesmo a pegar em armas para combater regimes totalitários e tirânicos. Ao final, a proposta democrática venceu. No mundo árabe, é possível que a alteração do regime demore um pouco e, assim como ocorreu aqui, muito sangue infelizmente ainda seja derramado em nome da democracia.
Contudo, a democracia é uma conquista cotidiana. Não adianta a alteração de um regime político, com a conseqüente expulsão de indivíduos e famílias tirânicas, sem que haja uma constante luta pelos ideais democráticos, haja vista que até mesmo os regimes democráticos podem abrir espaço para a tirania e submissão do povo.
Precisamos entender que a democracia não é uma palavra mágica, capaz de solucionar todos os problemas sociais, tal qual um abracadabra. Necessário considerar que há regimes democráticos infames que, em decorrência da exploração do mais forte pelo mais fraco, marginaliza o mais fraco em benefício do mais forte. Não é este tipo tirânico de democracia que o século XXI necessita. Os conflitos no Egito e na Líbia, além de importantes para esses países, também coloca os outros países ditos democráticos a pensar e em alguns casos, por que não dizer, repensar o tipo de democracia que propiciam aos seus cidadãos.
A democracia, tanto aqui no Brasil, quanto no Oriente Médio e em qualquer lugar do mundo é o resultado de uma luta cotidiana, tanto individual como coletiva. Lutemos, pois, pela Democracia, nossa luta de cada dia.
Prof. MANOEL PEREIRA DA SILVA
Licenciado em História e Sociologia pela Universidade Camilo Castelo Branco.
Pós-graduado em Gerontologia pela Universidade de São Paulo – USP Leste.
E-mail: silva.manoelpereira@gmail.com













