Editorial

17.01.2011

A quem interessa a má qualidade do ensino no Brasil?

Nosso país somente será uma nação quando os nossos governantes se conscientizarem de que um futuro promissor está intimamente ligado a uma educação digna e de qualidade.

Às vésperas de todas as eleições ouvimos, repetidamente, promessas e mais promessas de campanha. “Vamos priorizar a educação”, é uma das mais repetidas. Infelizmente nada foi feito até hoje.

 Será que os políticos brasileiros não se sensibilizam? Ou descobriram que um povo sem cultura é facilmente
manipulável e, portanto, não têm interesse na solução dos problemas na educação?

 A quem interessa a má qualidade do ensino no Brasil? A triste realidade do ensino no Brasil foi apresentada no relatório da UNESCO, aonde foi apontado que o índice de repetência no ensino fundamental brasileiro (18,7%) é o mais elevado na América Latina e fica expressivamente acima da média mundial, que é de 2,9%. O alto índice de abandono nos primeiros anos de educação também alimenta a fragilidade do sistema educacional do Brasil. Cerca de 13,8% dos brasileiros largam os estudos já no primeiro ano no ensino básico. Neste quesito, o País só fica à frente da Nicarágua (26,2%) na América Latina e, mais uma vez, bem acima da  média mundial (2,2%).

 Há que se fazer algo para a mudança deste quadro urgentemente. Mas como fazê-lo se a própria política fomenta a situação caótica em que vive a educação no Brasil? De que  adianta o governo dizer que quase todas as crianças têm acesso ao ensino básico no país, se por trás disto tudo o quadro é desesperador? Se de fato a “repetência” fosse levada a sério, possivelmente teríamos uma visão mais realista a ser enfrentada. Por que não mostrar claramente que estas mesmas crianças estão chegando à quarta série sem saber ler na maior parte das escolas da rede pública?

Está mais do que na hora de os nossos políticos arregaçarem as mangas neste sentido. É preciso valorizar o  profissional que é a base de todo o processo de aprendizado- o professor - e reconhecer quando um sistema básico  de vida não está caminhando bem. Montar uma ação que envolva todos os segmentos da sociedade talvez seja um início para se fazer algo pelo futuro da educação em nosso país.


A meu ver, somente uma pressão popular poderá mudar o rumo desta história. Precisamos fazer valer a nossa  força!

Uma boa leitura.


Mauro Margarido
mauro318@uol.com.br

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